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| A musa dos vitrais Marianne Peretti contribuiu intensamente para a visualidade moderna de Brasília, mas público conhece pouco do trabalho da vitralista francesa que mora em Olinda (pe)
No canto direito da obra, um discreto ‘‘Peretti 1977’’. O sobrenome é de Marianne, francesa filha de pernambucanos que encantou Oscar Niemeyer na década de 1970 e passou a fazer parte da equipe de artistas que criavam obras para os projetos do arquiteto. Junto com Alfredo Ceschiatti e Athos Bulcão, Marianne Peretti se tornou referência em Brasília. São dela os vitrais coloridos da Catedral e o lustre da câmara mortuária de Juscelino Kubitschek, no Memorial JK, assim como o painel lateral do Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Pouca gente, no entanto, conhece o nome Marianne Peretti. Se Ceschiatti ganhou um pouco mais de projeção como o escultor dos anjos da Catedral e Athos ficou conhecido como o artista dos azulejos geométricos de Brasília, a francesa quase beirou o anonimato. Ela credita tal fato à genialidade de Niemeyer. As escalas monumentais e inovadoras da arquitetura moderna do carioca ganham em importância ao lado dos artistas que ajudaram a criar a visualidade de Brasília. A maioria deles permanece desconhecida, embora suas criações sejam automaticamente identificadas como parte da modernidade erguida na capital. ‘‘Sempre falamos da arquitetura de Oscar porque ele fez a cidade, fez o marco. Ele tem a estrela, com certeza, um pouco maior que a nossa, um senso do aproveitamento do momento muito grande. E há também um fenômeno que explica essa indagação, que é o fato de ele ter feito um trabalho especial e único’’, acredita Marianne. Encontro com Niemeyer Foi exatamente a tal estrela que a fez se aproximar de Niemeyer. O primeiro encontro aconteceu no início dos anos 1970, quando a artista voltava de uma viagem a Paris, durante a qual havia visitado as obras da Editora Mondadori, projetada por Niemeyer em Milão. Ficou fascinada com o que pôde ver do prédio, espécie de versão modificada do Palácio do Itamaraty. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Marianne juntou alguns desenhos e foi ao escritório do arquiteto. Enfática ao dizer que gostaria muito de trabalhar com ele, apresentou a pesquisa com vidro que vinha desenvolvendo desde as aulas na Escola de Artes Decorativas, em Paris. Esse material atraía mais a atenção da artista que a escultura e a pintura. Marianne conhecia desde pequena os vitrais do século 16 espalhados pela Europa, mas achava cafona. Criou então maneira nova de trabalhar a técnica e Niemeyer gostou. A primeira obra foi para o Palácio do Jaburu, em 1976. A artista morava no Rio, mas criou o painel em constantes visitas ao palácio. ‘‘Ele gostou muito. Para um arquiteto, a obra é mesmo interessante, porque não corta o espaço e é uma peça dinâmica’’, analisa. Em seguida, vieram os painéis do Congresso (Câmara e Senado), Catedral, Memorial JK, Teatro Nacional, Panteão, criações para prédios particulares da cidade e a fachada do Superior Tribunal de Justiça, a parceria mais recente com Niemeyer. Para o historiador Marcus Lontra, ex-curador da Fundação Athos Bulcão e íntimo da arte que integra a arquitetura de Niemeyer, Marianne foi uma das escolhas mais adequadas do arquiteto. ‘‘Ela recupera a idéia dos vitrais góticos e acentua o caráter operístico da arquitetura de Niemeyer. Além disso, domina bem o repertório modernista’’, aponta. Ele lembra também que, apesar da polêmica gerada pelos vitrais coloridos da Catedral e a pintura branca sugerida pela própria artista, o conjunto é referência elegante à visualidade brasileira. ‘‘Ao mesmo tempo em que recupera a técnica européia, tem ousadia e sensualidade muito modernas.’’ Dono da primeira galeria de arte de Brasília e hoje marchand no Rio, Oscar Seraphico entende os vitrais de Marianne como um presente para a cidade. A fusão de elementos europeus com o traço de Niemeyer fez dela uma das maiores vitralistas brasileiras. As curvas reproduzidas pela artista nos vitrais são citações das formas da capital, e as cores, sempre vivas, vêm da cultura brasileira. ‘‘Ela marcou época e é marco da história da arte de Brasília’’, garante Seraphico. ‘‘É uma pessoa que trabalhou muito na cidade, mas que ficou esquecida. Isso é lamentável. Ela se entrosou perfeitamente com a arquitetura da cidade, mas depois que o Niemeyer deixou de trabalhar com ela, ninguém cuidou.’’ ‘‘Brasília mudou minha vida. Antes, fazia pinturas, desenhos e alguma coisa de escultura e vitrais para arquitetos. Depois de trabalhar na capital, passei a fazer muitos vitrais. Hoje, ganho a vida assim’’, admite Marianne, que há 14 anos trocou o Rio por Olinda. Instalada em uma casa antiga reformada por ela, a artista de 75 anos trabalha sobretudo por encomenda. Na mesa de trabalho, há seis projetos em andamento, entre lustres, vitrais, ‘‘coisas diferentes’’ nas quais Marianne gosta de se aventurar. Maçanetas de portas, móveis e objetos utilitários fazem parte das criações. ‘‘São sempre diferentes, porque não copio nada.’’ Há um ano, criou um vitral para uma casa em Brasília, a pedido do arquiteto César Barney. Foi a última vez que esteve na cidade. Não chegou a visitar suas criações, mas há tempos sabe da má conservação de alguns vitrais. Na Catedral, por exemplo, mais da metade tem rachaduras. No Panteão, há dois vidros quebrados no canto direito inferior. ‘‘É uma pena deixar num estado de depredação uma peça tão fotografada por turistas.’’ |
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Reflexos coloridos Marianne Peretti rememora conceitos e histórias marcantes na criação de suas principais obras, que hoje valorizam monumentos da cidade
Fachada do Superior Tribunal de Justiça (1994) — ‘‘Foi complicado, porque as colunas são suspensas em vão livre de 64 metros de extensão. O calculista sofreu muito para fazer o cálculo. As colunas dão ritmo ao prédio e não são repetidas. Esse fato marca muito a paisagem. Acabei não assinando esse trabalho. Até pedi para que depois marcassem meu nome. Mas nunca fizeram.’’ |
Panteão (1987) — ‘‘A sala devia ser muito escura e o vitral teria função de iluminar o Panteão. Eu havia feito oA÷/QÿÄ ! !1 QAaq¡ÁðÿÚ ?!°é„€š :¹¡P[`%‘;$]ö&óì ®äí¼ù¼úÄ C¶¸ýcÿÚ , €ÿÄ ÿÚ ? a:ÿÄ !1Qa‘ÿÚ ?@1P·º¨bÁÉ“/ÿÄ # !a 1AQq‘¡ÁðÿÚ ?ÊšY<¯›8x)ò8"¸År‹ÄÔ~Û`´ôu¾wµŠfNÉì]±»l’ûõ‚“Â!DMQÃUÝ*…R„TQõc³OÿÙ ÿØÿà JFIF ÿÛ C ' .)10.)-,3:J>36F7,-@WAFLNRSR2>ZaZP`JQROÿÛ C&&O5-5OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOÿ |